segunda-feira, 26 de junho de 2017

sábado, 24 de junho de 2017

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A IRLANDESA ...




Doce Irlanda ...

Naquela semana de fevereiro, o tempo agreste tinha feito uma trégua. Dias mornos e pachorrentos, espraiavam - se preguiçosos pelos areais das praias de Lagos. São os melhores dias. Sem ondas de multidão, é no restaurante do Pedro que convivo com o mar. É assim há muitos anos, naquele recanto acolhedor de Porto de Mós. 

Enquanto o sol vai subindo no imenso céu, veraneantes vão passeando os seus animais de estimação pela extensa praia. Os cães, exultantes de felicidade, correm para o mar, molhando as patas e o pêlo, para depois se sacudirem numa chuva deliciosa de salpicos da água salgada do Atlântico.

Pedro, proprietário do restaurante “O António”, quando nos vê, a mim e à minha companheira, vem logo ter connosco. Não se trata de uma formalidade ou de cativar o cliente.  É sempre o abraço caloroso da alegria da nossa chegada. Dias depois, sempre o abraço sentido da nossa partida. Apenas os muitos anos de frequência da praia e do restaurante, são a chave de uma amizade sincera.

Os almoços na esplanada do Pedro em dias de Inverno risonho e soalheiro, são uma espécie de lavar da alma. Sem atropelos, os dias correm ao sabor das marés .

Naquele dia pacato, olhando a praia e o mar em tons de azul, almoçando o peixe do nosso agrado, sentou - se numa mesa junto de nós, uma irlandesa de idade avançada. Sozinha, ia olhando o Atlântico pensativa, como quem tentava colocar nos pratos de uma balança, o deve e haver de uma já longa vida.

De repente, perguntou se sabíamos falar inglês. O sobressalto da pergunta não podia deixar de ter resposta e, com uma dificuldade que foi esmorecendo à medida que o tempo ia passando, a conversa, com este ou aquele hiato, foi fluída. Nada ficou que não fosse esclarecido. Em jeito de romance, foi -  nos contando a sua vida. Percebi nos seus olhos algum desencanto, como me apercebi, perplexo, que ela precisava de falar e de alguém que a ouvisse.

Como quem desfolhava as páginas de um livro, foi falando do seu casamento falhado, depois de muitos  anos de entendimento com o marido. De como tentou segurar o seu matrimónio até aos limites, tendo desfeito a união por sua iniciativa. Lá, nas paisagens atapetadas da sua verde Irlanda, vive agora só.

Adora a sua pátria e o seu hino nacional. Falou do “Brexit” e da pouca consideração que tem pelos ingleses. Lembrou os filhos e os netos a viver em terras do Canadá. Todos os anos voa para o continente americano, para matar saudades do seu sangue. E faz menção de nos mostrar fotografias do seu clã que está lá longe. 

Depois, não regressa aos campos viçosos do seu país. Vem refugiar - se em Lagos, procurando no regaço do Infante - marinheiro e na hospitalidade dos portugueses, a força com que tenta derrubar a solidão.

No fim do almoço, era já meia - tarde, aceitou a nossa companhia até junto da estátua da autoria de Cutileiro e do tal rei que era um menino, local onde fez questão de ficar. Agradeceu o transporte e partiu em passo lento, aparentemente deambulando sem destino.

A Irlandesa, que nos disse o seu nome mas que não é relevante para este conto da vida real, percebe - se que é uma mulher idosa e só. Pelo Canadá, por Portugal e pela sua amada Irlanda, se cruzam os seus caminhos da vida. São esses os seus pontos cardeais, que mais não são que os seus pontos de afeto.

Talvez um dia nos voltemos a encontrar no restaurante do Pedro e ela nos ensine a entoar o hino da sua bela pátria, uma vez que nos quis confidenciar, enquanto olhava o mar sereno, o hino da sua atribulada vida.
Quito Pereira       

quinta-feira, 22 de junho de 2017

PORTO BENFICA-Reposição de 05-11-2010

Dedicado ao tripeiro e meu Amigo Carlos Viana )


Acabaram de almoçar e ele foi procurar o bilhete para o Porto-Benfica dessa noite.
Não o encontrou. Furioso, como de costume refilou com a mulher que lhe andava sempre a mudar as coisas de sítio. Estava seguro de ter deixado o bilhete em cima da cómoda mas ela, com a mania das arrumações devia tê-lo posto num lugar qualquer. Habituada a cenas daquele género, a mulher disse-lhe calmamente para ver se tinha o bilhete dentro da carteira antes de a estar a acusar.
Calou-se, respirou fundo ao ver aquele valioso bocadinho de papel colorido dentro da carteira, e sentou-se no sofá a folhear “O Jogo”. Mais uma vez ela tinha razão...Passada uma hora, a mulher disse-lhe:
- Não vás para o futebol antes de arranjares, como prometeste, a torneira do lava-louça que anda a pingar já há uns dias.
E prosseguiu:
- Agora vou com a nossa filha a casa do irmão. Como sabes, vamos lá jantar, mas quando chegar a casa espero que a torneira já esteja arranjada.
- Ouviste?
- Não sou surdo! – respondeu ele, casmurro, no meio da nuvem de fumo do cigarro, sem levantar os olhos do jornal.Logo que ela saiu, olhou para o relógio. Eram 4 da tarde. Repararia a torneira às seis, às seis e meia estaria o trabalho feito e lá pelas sete menos um quarto iria para o Estádio do Dragão, onde chegaria por volta das oito da noite.
Como o jogo só começava às oito e um quarto, dava tempo.

Às 18 horas foi procurar a chave inglesa na caixa de ferramentas. Mais uma vez praguejou porque a mulher lhe andava sempre a mudar as coisas de sitio. Telefonou-lhe aos berros a perguntar-lhe onde raio tinha ela metido a chave inglesa. Com paciência ela lembrou-lhe que ele próprio a tinha levado há tempos para casa do filho para reparar uma coisa qualquer e que se tinha esquecido de a trazer.
Para não dar o braço a torcer, disse á mulher que não havia problema e desligou o telefone
.
Pegou num alicate para desatarrachar a torneira. Um esguicho gelado disparou contra a sua cara encharcando-lhe o cabelo, o cigarro e a camisa. Correu a fechar a torneira de segurança à entrada da casa. Tinha-se esquecido...
Enrolou um vedante em volta da rosca da torneira e voltou a atarrachá-la. Foi ligar a água. A torneira pingava agora mais do que antes.
Voltou a fechar a água, a tirar a torneira, a ajustar o vedante, a recolocar a torneira, a ligar a água. Mas se antes pingava, agora jorrava em fortes esguichadelas.
Repetiu estas operações mais umas cinco vezes e a coisa estava cada vez pior. Já eram sete horas. Tinha que ir já para o Estádio, senão perderia o início do jogo...
Desligou a água. Quando viesse reparava a porcaria da torneira. Saiu a correr, meteu-se no carro e, felizmente, chegou ao Estádio mesmo à hora de começar o desafio com os 
lampiões.
Com o cigarro na boca e o cachecol azul ao pescoço, vasculhou nervosamente os bolsos em frente ao porteiro. Não encontrava a carteira! Telefonou à mulher, esbaforido, a perguntar-lhe onde diabo tinha ela metido a carteira dele antes de sair.
Do outro lado da linha ela lembrou-lhe, calmamente, que foi ele mesmo que a arrumou em cima da cómoda.
Sem carteira e, especialmente, sem bilhete, não pôde entrar no Estádio.Foi à bilheteira para ver se ainda havia bilhetes. O homem, no guichet, estendeu-lhe uma bancada lateral. Lembrou-se então que, sem a carteira não tinha dinheiro para o pagar.
E já não dava tempo de ir a casa e regressar. Resolveu meter-se dentro do carro para ao menos ouvir o relato. Carregou no botão do rádio e...nada!
Apareceu-lhe no tablier uma mensagem que dizia: “Bateria Descarregada”...

Rui Felício

quarta-feira, 21 de junho de 2017

NOTÍCIAS DO CENTRO NORTON DE MATOS

Academia de Dança CNM em destaque na edição de Diário de Coimbra (18.06.2017)  
RELACIONADOS:


DE 3 A 14 de JULHO

terça-feira, 20 de junho de 2017

RECANTOS DE COIMBRA- BAIXINHA V-RUA SARGENTO_MOR_ RUA DA SOTA - RUA E/ESCADAS DO GATO-RUA ADRO DE CIMA

Rua Sargento Mor apanhando as grades do jardim do Hotel Astória
 Rua Sargento- Mor no seu início a partir da Rua da Sota
    A placa RUA DA SOTA(por detrás do Hotel Astória e  Placa da Rua Sargento Mor
                      Rua  dos Gatos-ou aqui BECO DOS GATOS(?)
   Cimo das Escadas/Rua dos Gatos que liga à PORTAGEM
    Rua dos Gatos-aqui as escadas que ligam à PORTAGEM

     Parte final da Rua dos GATOS(placa) que entronca  na Rua Sargento Mor
                      Rua Sargento Mor que liga à Rua da Sota, vinda da praça Velha  pela rua do Adro de Cima
   Junção da Rua dos Gatos com Rua Sargento Mor do lado das escada dos Gatos que vai ter à Portagem
     ADRO  DE CIMA( à esquerda Igreja de São Bartolomeu que vai ter à Praça do Comércio)

    Outro ângulo da rua do ADRO DE CIMA-ligação à Praça do Comércio
                       Rua ADRO DE CIMA-Segue-se à Rua Sargento Mor e esta à Rua da Sota por detrás do Hotel Astória


ADRO DE CIMA(por detrás da Igreja de São Bartolomeu) , que liga AO ADRO DE BAIXO(final do Beco do Forno)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

ENCONTRO COM A ARTE - O CALHABÉ DO MEU TEMPO DE FERNANDO ROVIRA....

...CURIOSIDADES-1930-1960
O(A) PRIMEIRO(A)...O PRIMEIRO POSTO DE POLICIA

DO CALHABÉ só foi inaugurado em 1 de Março de 1936, na Vila Cortez, não obstante a Câmara, ano e meio antes, já ter arrendadao a casa e uma outra na Rua Luis Gonzaga, Olivais, ambas para o mesmo fim.
     A casa tinha uma pequena cave subterrânea que foi adaptada para calabouço.
     Primeiros polícias que ali prestaram serviço: João Simões(chefe do posto), José Proença, Francisco de Andrade, Alfredo Loureiro, Manuel Rodrigues. Francisco Magro Pinheiro, José dos Santos, Augusto dos Santo Freitas, Artur Roque Martins e Joaquim Filipe Ferreira.
     A fiscalização do leite, que até então era feita no vigia, passou para o posto. Mais tarde, após a construção do Mercado, mudou para lá, e ali viria a manter-se até ao desaparecimento dessas prestimosas criaturas que eram as leiteiras,que,  com os padeiros, os marçanos, os ardinas, as vendedeiras de frutos e legumes, as peixeiras e outros, foram banidas das ruas em nome da higiene e do progresso, mais em teoria do que na prática, pois passado um ano já o novo mercado se ressentia da falta de vendedeiras e de fregueses.
      Em Março de 1951, o posto de polícia foi transferido para o Bairro Marechal Carmona, onde se manteve alguns anos, indo depois para a Casa Branca e, já nos nossos dias, para a Av. Elísio de Moura, para um edíficio construído de raiz com essa finalidade

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A PRIMEIRA BOMBA DE GASOLINA pertenceu a José Maria Maia e estava colocada no passeio do seu estabelecimento. Era amovível e só descarregava 5 litros de cada vez.
Foi este o primeiro posto de gasolina que existiu no Calhabé. A gasolineira Namora só viria a aparecer quase vinte anos depois. Também já lá vai...

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A PRIMEIRA CASA DE SAÚDE foi inaugurada na Estrada de Beira, com esquina para a Vila União, no final de 1934, ou principio do ano seguinte. Tinha todos os requisitos para bem cumprir a sua missão. Na década de 50 surgiria na Rua dos Combatentes a casa de Saúde Rainha Santa Isabel, de Montezuma de Carvalho. Nenhuma delas existe já.

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O FONTANÁRIO DA CALHABÉ foi inaugurado em 1939, na proximidade da Fonte da Cheira, quase em frente do Clube Recreativo do Calhabé. Assisti à inauguração pela mão do meu avô materno, Júlio Alves Antunes, então regedor da freguesia de Santo António dos Olivais.
Foi o primeiro e o último do Calhabé, embora houvesse a intenção de localizar mais um ou dois na zonas de maior densidade populacional.
     Na altura, veio responder a uma necessidade. A população abastecia-se de água na Fonte da Cheira, mas nos Verões mais rigorosos o débito de água deminuía, tornado-se insuficiente. O recurso era a já referida Fontinha e um poço particular que havia perto, mas, mudando este de proprietário, deixou de ser solução viável para a maioria da população.

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A PRIMEIRA ESTAÇÃO DOS CORREIOS foi o culminar dum longo processo.
      Uma estação de correios no Calhabé era de urgente necessidade. O Bairro via subir dia a dia a sua população e tornava-se incómoda a deslocação à Baixa para tratar de qualquer assunto relacionado com os C.T.T.. Por isso, a imprensa não se fartava de mexer no assunto, o que levou o Chefe da Estação de Coimbra a enviar um ofício aos jornais em que informava que se pretendia criar no Calhabé uma estação de 4ª  classe(regional) e outras idênticas nos Olivais e Santa Clara, com horário das 9 às 13 e  das 14 às 18 h.
      No mesmo ofício, convidava pessoas do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 18 anos e os 35 anos, com o exame da 4ª classe, pelo menos, que quisessem chefiar essas estações, a ceder na sua residência, no rés-do-chão ou no 1º andar, uma sala para instalar a estação. Além do vencimento de 120$00 mensais, teriam uma percentagem sobre todo os serviços a executar.
      Passaram-se 9 anos sem que aparecesse uma única interessada, até que, finalmente, os Correios resolveram inauguar no dia 12 de Fevereiro de 1955, pelas 17,30, no quarteirão da gasolineiras, Casa de S.José. , Farmánia do Calhabé (Henasi),Café Aquário e Casa Marinha Grande, a estação de correios do Calhabé., a qual, como se sabe, foi transferida para a Solum, depois de ali ser construído o Centro Comercial Girassolum.

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A PRIMEIRA ESCOLA foi num pequeno edifício de rés-do-chão, adaptado para o efeito, onde viria a ser, mais tarde, a loja de ferragens Alírio Costa. Cedo se tornou demasiado acanhado, pelo que teve de ser transferida para um casarão, demolido aquando da construção recente do Corte Inglês, situado na quinta entre a linha do caminho de ferro e a Estrada da Beira, onde as condições eram um pouco melhores, mas longe ainda de serem boas. Daqui, passou para a Rua dos Combatentes para uma construção um pouco tosca, meio armazém, que partilhava com uma garagem do proprietário. A parte destinada à escola foi dividida em duas alas, uma para rapazes e outra para raparigas. Tinha um corredor a todo o comprimento que dava acesso às quatro salas de aula. Do lado das raparigas a mesma coisa. As salas eram amplas, mas frias no Inverno por as paredes não serem subidas até eo tecto. Contígua à escola era a casa da contínua.
       Foi esta a escola que comecei a frequentar em 1940. Eram professores na altura: Roque, Vieira, Cristino, Viriato e Ferreira Afonso. Das raparigas: D. Carolina, D.Georgina (esposa do prof Viriato) e D. Virginia
       Mais tarde, o progresso e o camartelo deixaram um vazio...

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A PRIMEIRA CAIXA POSTAL (marco do correio) ficava incrustada na parede da taberna do Zé Maia. Os C,T,T, nunca atenderam os sucessivos pedidos  para instalarem mais uma ou duas na zona do Calhabé, situação que se manteve por largos anos, Era até lá que quem queria enviar uma carta tinha de se deslocar.

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A PRIMEIRA PRAÇA DE TÁXIS do CALHABÉ, explorada pelo conhecido industrial do remo Sr Calado, situava-se na confluência da Rua do Teodoro com a dos Combatentes, nas proximidades das paragens dos eléctricos e contava com dois ou três automóveis "Peugeot". O telefone estava num nicho na parede que faz gaveto e que é hoje, depois de remodelado, uma seguradora.

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OS PRIMEIROS ESGOTOS DO CALHABÉ começaram em 1955, como encanamento duma vala entre as Nogueiras e a passagem de nível, tendo os moradores contribuido com 11249$00 e a Câmara com a mão de obra. Só em 1959 continuaram da linha para baixo, mas desta vez a autarquia assumiu todos os encargos-

Textos de Fernando Rovira


quinta-feira, 15 de junho de 2017

CRIME E CASTIGO...


E deste "post" lembras-te!!!! ?

Um abraço

Jose Leitão



sábado, 4 de Outubro de 2008                                            
CRIME E CASTIGOS                                                                      


Os Costas assumiram desde muito cedo e com convicção a sua condição de hipocondríacos. Concedo que, na família, há uns mais militantes do que outros, mas isso pouco importa para o caso. Somos pois hipocondríacos

(se calhar é para disfarçar um nariz a imitar um papa formigas, digo eu,..)

e desde muito novos essa característica se manifestou. No caso da minha mana Belinha ela nem precisou de ir muito longe buscar inspiração.



Na frente de nossa casa, na Rua F 25, ensanduichado entre o Senhor Lizardo e o Senhor Artur, morava o Senhor Caixeiro. Já não me recordo o que fazia e se o nome tinha que ver com uma profissão que alguma vez tivesse exercido em vida normal. Ele para mim sempre foi muito velho e várias vezes veio um ambulância buscá-lo ao Bairro já moribundo e outras tantas o trouxe de volta. Menos na última vez. O Senhor Caixeiro tinha uma característica: era coxo. Mas não da forma habitual de ser coxo. Tinha uma perna que não dobrava pelo joelho e que estava permanentemente esticada. Por isso coxeava. Quem quiser saber qual é a sensação do coxear normal é simples: basta caminhar pelas ruas do Bairro com um pé no passeio e outro na estrada. Este método de andar tem uma aplicação fantástica: se estiverem bêbados usem-na e verifiquem que deixam de coxear por aplicação de um princípio elementar da física moderna! Acertem mas é com o lado do passeio... Mas o coxear por via de uma perna tesa era diferente, pois não há aquele sobe e desce, ou movimento pendular, mas antes um caminhar gaguejante tipo vai não vai.Mas voltemos à mana.
Um dia, a minha irmã Belinha, pessoa muito sensível e impressionável, acorda de ... perna esticada. Como o Senhor Caixeiro. A minha mãe incrédula tenta perceber o que se está a passar. É difícil entender que uma criança adormeça normalmente e acorde de perna hirta como um pau. Mas se a doença (?) não provocava febre nem era contagiosa mesmo assim a mana Bela pôde não ir à escola mas andar a passear aos soluços. Não me recordo bem se coxeava da mesma perna que o Senhor Caixeiro. Mas não o creio, pois se assim fosse podiam passear os dois alegremente agarrados as suas idiossincráticas pernas partilhando a que tinham em boa condição. Mas deixariam ambos de coxear o que faria regressar à Escola a minha irmã acompanhada agora pelo Senhor Caixeiro solidário, em sentido literal, com a mana. Tenho dúvidas que ele quisesse. À uma , porque ficava mais longe das ambulâncias, às duas, porque não acredito que quisesse voltar a ter que recitar de cor as serras de Portugal: Peneda, Soajo, Gerês, Larouco, Barroso, Cabreira,...(tanta inutilidade que a escola no impingia, Menino sabes o que é a Pátria? Lá vamos cantando e rindo, levados levados sim...)

ou os minerais talco, gesso, calcite, fluorite, apatite...
Sei que a coisa durou algum tempo para preocupação crescente da Lurdes. Por isso a Lurdes não atendeu às nossas sugestões irmãs de a levar à Santa da Ladeira, e foi com espírito de quem acredita na ciência ao nosso médico, Dr. Pimentel, na Rua da Sofia. Acontece que o consultório do douto doutor se situava no último andar de um prédio meio em ruínas pelo que havia que subir uma longa, estreita e escura escada. Não sei se pelas dificuldades alpinistas, se pelo medo de vir de lá com uma receita de um purgante

(o médico tinha por vezes alguns equívocos)

a perna da mana Belinha deu em começar a ceder pelo que chegados ao cume já andava como uma pessoal normal. Mesmo assim foi vista pelo médico a insistência de todos, menos da Belinha, claro. Após prolongado exame, que incluiu umas marteladas no joelho que faziam voltar não só a perna doente como a outra à posição horizontal, para pavor compreensível da D. Lurdes, o veredicto foi simples, definitivo e curto: a Belinha sofria de mimetismo! E para tal não havia remédio, Dr. Pimentel dixit. A Lurdes pessoa apegada ao positivismo lógico, herdeiro moderno do velho racionalismo, não se conformou com o diagnóstico

(afinal se há um efeito tem que haver uma causa, e é essa que tem que ser combatida
)

e toca de consultar a Grande Enciclopédia das Doenças - Edição para Tótós, que tínhamos recebido como brinde após uma compra de livros às Selecções do Readers Digest. Procurou pela entrada mimetismo e nada. Procurou por perna hirta ... e nada. A única coisa que encontrou mais ou menos relacionada foi uma entrada sobre pénis hirto

(também conhecido por priapismo é uma erecção permanente e dolorosa que ocorre sem estimulação sexual e persiste após 6 horas.)

que a deixou a repetir de forma estranha

-- Seis horas, meu Deus! Seis horas.

e nós

-- Qual seis horas mãe, é uma hora e temos fome!

e ela

-- Seis horas. Isto sim é que são doenças.

Desaparecido o efeito mas ignorada a causa a minha mãe resolveu algo que a medicina veio a consagrar mais tarde: aplicar um antibiótico de largo espectro, dosagem para criança. E disse:

-- A próxima vez que vieres com esse problema chamo o homem do saco e ele leva-te.

Não voltámos a ter pernas hirtas lá por casa. Priapismo já não posso afiançar!
Jó-Jó


Nota de rodapé do ADM Castelão:
O Senhor Joaquim Caixeiro tinha a profissão de" CARTEIRO"
Tinha dois filhos: o Mário e a Leocádia - já faleceram
Um dos filhos do Mário tem passado lá pela casa, e consta que irá ser vendida.

Publicado em 2008(C.Selvagem) e depois em (2010 EG)

ANIVERSÁRIO

ERNESTO COSTA

          JÓJÓ

15-06-1953

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações"deseja

MUITAS FELICIDADES! 

PARABÉNS!













quarta-feira, 14 de junho de 2017

NOTICIAS CENTRO NORTON DE MATOS-ACADEMIA DE DANÇA



Este verão todos os caminhos vão dar ao Whoosh!! E o que é o Whoosh? É o novo ATL de férias de verão da Academia de Dança do CNM em Coimbra. Junta-te a nós para passares uma semana divertida e dedicada à dança! Para mais informações contacta academia.danca@cnm.pt ou consulta o site www.academiadanca-cnm.wixsite.com/whoosh onde te podes inscrever. Segue-nos no Instagram e no Facebook para te manteres a par de todas as novidades! www.instagram.com/academiadedancacnm www.facebook.com/academiadedancacnm #whoosh #academiadedançacnm #cnm #verãoadançar #dançajazz #ballet #teatromusical #ATL #verão

segunda-feira, 12 de junho de 2017

ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA

Fotos  nas paisagens da serra da Gardunha..Caminhada da Bota Cansada

.

pelo meu Aipode(s)e...logo se vê

domingo, 11 de junho de 2017

Adivinha para os amantes de Coimbra

Coimbra tem muitos azulejos dedicados a Santo António.

Aonde fica este?
Um cheirinho
Infalível.
Pois é... foi lá que nasceu uma Princesa que casou com o D. Castelão.
Fotos: Lucinda.

ENCONTRO COM A ARTE - FOTOS GALARDOADAS EM ENCONTROS DE FOTOGAFIA INTERNACIONAIS IV

    INCRIVEL JOGO DE LINHAS E SOMBRAS-TIBETE
    MANGUESAL CUBA
    MORADIAS TIBETE

sexta-feira, 9 de junho de 2017

RECANTOS DE COIMBRA II Bairro Sousa Pinto

BAIRRO SOUSA PINTO
  Escadas Monumentais- Rua Oliveira Matos-Praça da República-Jardim da SereiaJ

   - Esquerda Bairro Sousa Pinto visto das escadas Monumentais
    Bairro Sousa Pinto- República  RAPÓ TAXO
    Bairro Sousa Pinto- República  FANTASMAS
     Bairro Sousa Pinto-Real República AY-Ò-LINDA
     Entrada Bairro Sousa Pinto pelos Arcos do Jardim
 Vista  acessos Universidade-Bairro Sousa Pinto e Rua Oliveira Matos